Impactos da guerra começam a chegar esta semana às contas de gás natural no Brasil

Publicado em

27 de abril de 2026

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Citygate Da Es Gás, Ponto De Entrega De Gás Natural À Distribuidora Estadual (Foto Divulgação)
Citygate, ponto de entrega de gás natural à distribuidora estadual (Foto Divulgação ES Gás)

NESTA EDIÇÃO. Distribuidoras de gás natural canalizado terão primeiro reajuste nos preços após alta global das commodities devido ao conflito no Oriente Médio. 
 
Silveira propõe aumento ‘temporário’ de etanol na gasolina por até 360 dias
 
Bandeira tarifária amarela é acionada pela primeira vez em 2026. 
 
MDIC rejeita a ideia de criação de uma estatal para minerais críticos

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Está programado para a próxima sexta-feira (1º/5) o primeiro reajuste no preço do gás natural da Petrobras desde o início da guerra no Oriente Médio, no final de fevereiro. A consultoria Wood Mackenzie estima um aumento de 18%, na média, no ajuste trimestral dos contratos de fornecimento às distribuidoras de gás canalizado

  • A Abegás, que representa as distribuidoras, pediu à Petrobras e aos demais supridores das concessionárias estaduais a abertura de um canal de negociação para mitigação dos impactos sobre a competitividade do gás, mas não houve respostas ao pleito, relata o diretor-executivo da associação, Marcelo Mendonça.
  • Em carta enviada à Petrobras, há duas semanas, a Abegás cita que um reajuste na magnitude esperada pode ter impactos sobre a demanda e sobre a sustentabilidade econômico-financeira dos contratos; e defende a discussão de alternativas como mecanismos de suavização de reajustes e revisões de preços. 
  • Na gas week, ao longo das últimas semanas, mostramos como o aumento esperado para o próximo mês poderia ser ainda maior, não fosse o início da validade dos contratos indexados ao Henry Hub, o preço de referência do gás nos EUA.

 O conflito no Oriente Médio elevou os preços internacionais do petróleo para a casa dos US$ 100 o barril — o Brent é o principal indexador dos contratos de gás no Brasil.

  • Na sexta-feira (24/4), o Brent para julho cedeu 0,22% (US$ 0,22), a US$ 99,13 o barril. Na semana passada, a cotação acumulou uma alta de cerca de 13%. 
  • A tendência, inclusive, é de um novo aumento na segunda-feira (27/4), depois do impasse nas negociações entre EUA e Irã no final de semana.

A expectativa é que o reajuste de maio seja apenas o primeiro. A depender dos novos episódios da guerra, a inflação deve acertar em cheio o mercado de gás no próximo reajuste trimestral, em agosto — às vésperas das eleições presidenciais no Brasil. 

  • Nesse caso, a alta esperada é superior a 50%, segundo a Abegás.
  • Vale lembrar: as distribuidoras não têm aumento de margem com o reajuste do gás. Os valores são repassados para tarifas nos reajustes periódicos feitos caso a caso nos estados.

Um reajuste nessa proporção pode corroer o aumento de competitividade do gás registrado nos últimos anos. 

  • Desde dezembro de 2022 o preço da Petrobras para as distribuidoras acumula uma redução da ordem de 38%, por exemplo.
  • “Nossa preocupação é que o gás seja esquecido e penalizado, enquanto outros combustíveis estão sendo desatrelados dos preços internacionais. Como não tivemos respostas, o cenário com o qual trabalhamos agora é de que haja alguma rota de correção para minimizarmos o efeito do aumento esperado para agosto”, comentou Mendonça, em entrevista à agência eixos

Os impactos da guerra sobre o mercado de gás estarão em pauta na gas week brasília, evento promovido pela agência eixos e que acontecerá nos dias 28 e 29 de abril, no Centro de Convenções Brasil 21, em Brasília. A gente se vê por lá!


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Subvenção. O governo federal prorrogou até 5 de maio o prazo de adesão dos estados e do Distrito Federal à cooperação financeira para a partilha de custos da subvenção econômica aos importadores e distribuidores de óleo diesel de uso rodoviário.
 
E32 no CNPE. O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, afirmou que o aumento da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina para 32% (E32) será analisado na próxima reunião do Conselho Nacional de Política Energética. Segundo a pasta, a medida será “temporária” e em “caráter emergencial”, com prazo de até um ano.

  • Silveira afirmou que o encontro do CNPE está previsto para 7 de maio

Sinal amarelo. A Aneel definiu que a bandeira tarifária de maio será a amarela. Com isso, os consumidores brasileiros terão custo adicional de R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos. 

  • É a primeira vez este ano que as contas terão esse acréscimo, já que desde janeiro estava em vigor a bandeira verde. Segundo a agência, a mudança ocorre devido à transição do período chuvoso para o seco, o que leva a uma geração hidrelétrica menor e ao acionamento de termelétricas, com custo mais elevado. 

Hub de combustíveis sustentáveis. A agência paulista de promoção de investimentos InvestSP e a alemã GIZ assinaram uma carta de intenções com foco na atração de investimentos em projetos de combustíveis sustentáveis no estado de São Paulo. 

  • As agências pretendem cooperar na promoção de iniciativas em combustíveis sustentáveis de aviação (SAF, em inglês), hidrogênio verde e outras tecnologias Power-to-X. 

Sem Terrabras. O ministro da Indústria, Márcio Elias Rosa, defendeu na sexta-feira (24) a urgência da aprovação de regras claras para a exploração de minerais críticos em território brasileiro. 

  • Em entrevista ao programa Bom Dia, Ministro, Rosa rejeitou a ideia de criação de uma estatal para o setor e disse que representantes do governo devem se reunir com o relator do PL 2780/2024, deputado Arnaldo Jardim, na próxima semana. 

Primeira conferência global sobre fim dos fósseis. Cerca de 60 países, dos mais de 190 signatários do Acordo de Paris, são esperados em Santa Marta, na Colômbia, para a conferência sobre a transição para longe dos combustíveis fósseis que começou na sexta (24) e vai até quarta (29). 

Reforma na Bolívia. Governo de Rodrigo Paz, na Bolívia, acena com redução fiscal na nova lei de óleo e gás, para atrair petroleiras estrangeiras, mas sem mexer na Constituição de Evo Morales.

Opinião: Ignorar o gás como fonte firme pode comprometer a atratividade do país para investimentos estratégicos, escrevem os sócios de Petróleo e Gás do Lefosse, Felipe Boechem e Rafael Martins.

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