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NESTA EDIÇÃO. Especialistas defendem integrar agendas tecnológica, energética, industrial e regulatória para Brasil competir globalmente na corrida pelos data centers para IA.

E o gás natural renova esforço para embarcar na política de incentivos à infraestrutura digital.

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Investidores em infraestrutura digital estão de olho no Brasil e no avanço do Redata no Congresso Nacional, mas a viabilização dessa nova economia no país ainda esbarra em uma série de questões que a política de incentivos, sozinha, não consegue resolver.
 
Esta é uma das indicações de um estudo da Fundação Getúlio Vargas lançado nesta terça (7/7) em um evento com Instituto Livre Mercado, ABDIB (indústria de base), ABES (empresas de software), Brasscom (data centers), Dig.IA e Movimento Brasil Competitivo.
 
“O Redata é uma política. É a política que traz competitividade porque tira a tributação sobre os equipamentos. Mas precisamos discutir política energética, política digital, política de dados. Se essas coisas forem discutidas separadamente, para cada pauta, vamos levar anos”, disse à eixos o vice-presidente sênior da Scala Data Centers, Luciano Fialho.
 
Fialho participou do evento nesta manhã e assina o prefácio do estudo encomendado por Scala e Norgas à FGV. 
 
Ao mapear iniciativas em outros países que já desenvolveram hubs — Virginia (EUA), Singapura, Dubai (EAU), Japão, Portugal, Canadá e FLAP-D (Frankfurt, Londres, Amsterdã, Paris e Dublin) — o documento indica que energia e sustentabilidade se tornaram os principais fatores críticos de competitividade para o setor.
 
E defende que a energia seja tratada como o eixo estratégico central, propondo um hub energético-digital.
 
Outra recomendação é coordenar agendas tecnológica, energética, industrial e regulatória.
 
No último ano, a discussão política sobre data centers tem girado em torno do Redata, o regime especial apresentado pelo governo via medida provisória que perdeu o prazo de validade após chegar ao Senado. Relembre
 
Durante a tramitação, outro projeto de lei que trata da inteligência artificial tentou aproveitar a mobilização para avançar na Câmara, mas o Redata caminhou sozinho, e o PL 2338/2023, relatado por Aguinaldo Ribeiro (PP/PB), segue tentando seu lugar na pauta.
 
Enquanto o regime especial para os data centers segue travado, outros projetos começaram a caminhar no Congresso, também com foco em incentivos para o setor atrelados à agenda energética.
 
“Precisamos de uma pauta única para infraestrutura digital”, defende o VP da Scala.
 
“Os investimentos em infraestrutura digital serão maiores do que em outras áreas, como rodovias, ferrovias, saneamento, aeroportos. Então para um setor tão importante, discutir pontualmente as coisas não resolve”, completa.
 
Uma das propostas concretas do movimento é criar um grupo especial “Brasil Hub Digital — Setor Energia”, coordenado pelo Ministério de Minas e Energia (MME) e composto por Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Aneel, ONS, CCEE e representantes do setor e da academia, para analisar, planejar e propor medidas transversais, além de monitorar indicadores.


Sindigás E Gás Do Brasil


Injeção de gás

Ainda sem um sinal do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União/AP), sobre quando entrará em pauta e quem será o relator, o Redata tem mobilizado o mercado de gás, que tenta garantir mudanças na reserva incentivos aos empreendimentos que contratam energia “limpa ou renovável”.
 
O principal argumento a favor é que esses centros precisam funcionar 24 horas por dia, 7 dias por semana, o que requer energia firme, sem interrupções ou oscilações no fornecimento — um desafio para quem depende apenas de renováveis, como solar e eólica, cuja geração depende das condições do clima.
 
Lá fora, big techs como Amazon e Google já começam a rever suas metas climáticas e de energia renovável, diante da dificuldade de comprovar o uso dessas fontes em tempo real, entre outros desafios. (Bloomberg)
 
Autor de uma emenda que busca abrir espaço para o gás natural entre os contratos de energia que qualificam os data centers para isenção de impostos federais, o senador Laércio Oliveira (PP/SE) defendeu nesta terça que o marco legal “aproveite todas as energias que a gente tem”.
 
O senador disse que foi um dos “construtores” para que a MP caducasse dando mais tempo para discussão, mas acredita que a proposta deve ser pautada em breve.
 
“Quero me envolver, como diz na minha terra, ‘até o juízo’ com esse projeto”, afirmou durante o evento com o setor.
 
Para Paulo Homem, diretor Institucional Regulatório da Norgas/Energisa, o ideal é ter esse ajuste já na lei, ainda que isso signifique o texto ter que voltar para a Câmara, garantindo reconhecimento das fontes firmes.
 
“É um interesse do setor energético, mas também do de data centers, já na lei, abrir mais esse leque das fontes de energia”, disse à eixos.
 
A Norgas é uma empresa formada por Energisa e Mitsui que atua na distribuição de gás natural. 
 
O executivo acredita no entendimento entre Câmara e Senado para avanço da lei em esforços concentrados antes das eleições de outubro.
 
E aponta que o sinal de demanda combinado a recentes avanços na regulação do gás podem tornar o energético mais competitivo.
 
“Tem uma série de discussões acontecendo… gas release, reinjeção, novos projetos entrando em operação a partir de 2028, revisão tarifária do transporte. Todas essas medidas combinadas, no final, vão levar a esse resultado de ter um gás mais competitivo”, completa.

Cobrimos por aqui


Curtas

Fila de conexão. O ONS divulgou a lista dos agentes admitidos na 1ª Temporada de Acesso de 2026, com 20,31 GW, dos quais 14,56 GW são de geração e 5,74 GW de consumo. O mecanismo concorrencial faz parte da Política Nacional de Acesso ao Sistema de Transmissão (Pnast), que reorganiza a fila de pedidos de conexão de grandes projetos industriais.
 
Cortes de geração. A diretora da Aneel Agnes da Costa defende urgência na aprovação da norma com os novos critérios de cortes de geração (curtailments). Relatora do caso, Agnes apresentou proposta para definir novos critérios de cortes de geração após sete anos de discussão na Consulta Pública 45/2019. O texto aguarda análise do diretor Fernando Mosna, após pedido de vistas.

  • “Enquanto não tiver norma, o ONS vai continuar fazendo o que quiser”, afirmou Agnes, em entrevista ao estúdio eixos, durante o EVEx Brasil 2026, em João Pessoa (PB). Confira na íntegra.

Importação de biodiesel. A Abicom enviou na segunda (6/7) um ofício a todos os membros do CNPE em defesa da abertura do mercado à importação de biodiesel para cumprimento da mistura obrigatória no diesel, hoje em 15%. O tema está na pauta da reunião prevista para quarta (8), em meio à expectativa de produtores do biocombustível de que o governo barre a importação.
 
LRCAP 2026. A TBG e a termelétrica Paulínia Verde firmaram um Termo de Compromisso para contratação de transporte firme de gás natural, etapa prevista no edital do Leilão de Reserva de Capacidade na forma de Potência. O documento formaliza compromisso para garantir o suprimento da usina, com início previsto para agosto de 2026.
 
Preço do barril. O Departamento de Energia dos EUA reduziu a projeção para o preço médio do petróleo Brent neste ano e no próximo, após a reabertura do fluxo pelo Estreito de Ormuz diante da assinatura de um memorando para encerrar o conflito. A projeção aponta o preço do Brent em US$ 82 em 2026 e US$ 65 em 2027.

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