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O interesse de investidores por projetos de data centers no Brasil já soma 38 gigawatts (GW) em pedidos de parecer de acesso à rede elétrica, dos quais 7,1 GW representam investimentos estimados em R$ 159 bilhões nos próximos anos.
Os números foram apresentados nesta segunda (1/6) pelo ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, durante participação no Fórum Jurídico de Lisboa, em Portugal.
Ao defender o potencial brasileiro para atrair grandes centros de processamento de dados, o ministro associou o avanço do setor à disponibilidade de energia e à segurança jurídica do país, além de destacar que a infraestrutura digital passou a ocupar espaço estratégico nas discussões geopolíticas e comerciais envolvendo o Brasil.
“Quando falamos em data center, não falamos apenas em tecnologia, falamos principalmente em energia, porque energia é o que sustenta a possibilidade de nós avançarmos em investimentos no data center no Brasil”, afirmou.
Segundo Silveira, o país reúne condições consideradas atrativas para investidores internacionais, como uma matriz elétrica majoritariamente renovável e estabilidade regulatória.
O ministro também afirmou que o agravamento dos conflitos no Oriente Médio tem redirecionado investimentos globais para o Brasil.
Empresas pedem celeridade no acesso à rede
Segundo Silveira, empresas que inicialmente planejavam instalar centros de processamento de dados na região passaram a buscar alternativas em território brasileiro e celeridade dentro do Operador Nacional do Sistema (ONS) para acesso à rede de transmissão de energia.
Recentemente, a Casa dos Ventos comprou da Voltalia os direitos de acesso à rede elétrica em Pecém (CE) para produção de hidrogênio verde e instalação de data centers.
“Muitos investimentos em data center que estavam indo para o Oriente Médio hoje estão nos procurando. Tenho na minha agenda, no mínimo, três, quatro grandes companhias mundiais em data center me procurando, pedindo que converse no ONS, que acelere no ONS”, afirmou.
De acordo com Silveira, a demanda crescente levou o governo a estruturar mecanismos para organizar a expansão da infraestrutura elétrica necessária ao atendimento desses empreendimentos.
Ele citou a criação do Plano Nacional de Acesso ao Sistema de Transmissão (Pnast), voltado à gestão da fila de solicitações de conexão à rede.
“Criamos uma política pública que se chama PNAST para organizar a fila de pareceres de acesso de forma adequada e segura, para que a gente desenvolva, desde o Nordeste brasileiro até o centro de carga, onde nós contratamos 100 bilhões de linhas de transmissão de 2023 até agora, para que a gente possa dar e alicerçar tranquilidade e previsibilidade para esses investimentos internacionais”, declarou.
Soberania digital e negociações com Trump
Durante sua apresentação, Silveira vinculou o desenvolvimento da indústria de data centers ao conceito de soberania nacional.
“Chegando ao nosso tema data center, é redundante, mas é importante sempre destacar, em especial quando estamos fora desse gigante pela própria natureza chamado Brasil, que, para nossa alegria, sob a liderança do presidente Lula, é soberano”, afirmou.
O ministro mencionou as recentes conversas mantidas entre o presidente Lula com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nas quais temas relacionados ao comércio internacional e à cooperação entre os dois países estiveram na pauta.
“Eu pude testemunhar a sua força e a sua liderança nas 27 viagens que fizemos internacionais, mas, em especial, na última, no diálogo de uma hora no Salão Oval da Casa Branca com o presidente Trump e duas horas no almoço, tratando de assuntos relevantíssimos para ambos os países, desde comércio internacional, combate ao crime organizado, com respeito à soberania nacional”, disse.
Nos bastidores das negociações entre Brasil e Estados Unidos para buscar alternativas ao tarifaço imposto por Washington a produtos brasileiros, a atração de investimentos em infraestrutura digital aparece como um dos temas de interesse bilateral.
Para o governo brasileiro, entretanto, a expansão do setor também está associada à necessidade de garantir que dados estratégicos sejam processados e armazenados em território nacional, reforçando a soberania digital do país.
Redata aguarda avanço no Senado
Ao final do painel, Silveira defendeu a aprovação do Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter (Redata), considerado pelo setor um dos principais instrumentos para destravar novos investimentos.
Atualmente em discussão no Senado Federal por meio do Projeto de Lei 278/2026, o Redata busca criar um regime especial voltado à atração de investimentos em data centers, com contrapartidas relacionadas à pesquisa e desenvolvimento, sustentabilidade, uso de energia limpa, transferência de tecnologia e fortalecimento da infraestrutura tecnológica nacional.
A proposta teve origem na Medida Provisória 1.318/2025, que previa a suspensão de tributos para equipamentos destinados a data centers condicionada ao cumprimento de compromissos ligados à inovação, sustentabilidade e expansão da capacidade tecnológica instalada no país.
Apesar de aprovada pela Câmara dos Deputados, a medida perdeu validade por não ter sido votada pelo Senado dentro do prazo constitucional.
Um dos principais pontos de debate no projeto é a definição das fontes energéticas que poderão ser enquadradas como “energia limpa” para fins de adesão ao programa.
Liderado pelo Movimento Brasil Competitivo (MBC), um grupo de entidades empresariais defende a inclusão do gás natural entre as fontes elegíveis.
Os defensores da mudança argumentam que os data centers demandam fornecimento contínuo de energia e, atualmente, dependem de geradores a diesel como sistema de backup para eventuais interrupções no suprimento elétrico, como é o caso do projeto do TikTok no Pecém.
Nesse contexto, o gás natural é apontado como uma alternativa de menor emissão para garantir a confiabilidade operacional dessas instalações.
