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NESTA EDIÇÃO. Relatório da Irena mostra que soluções híbridas solar e eólica com baterias competem com fósseis.

No Brasil, aposta no gás para garantir potência entra na mira de quem defende o armazenamento.

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Publicado nesta quarta (6/5), novo relatório da Agência Internacional de Energias Renováveis (Irena, em inglês) mostra que, em regiões com alta produtividade solar e eólica, as soluções híbridas combinadas com armazenamento fornecem energia ininterrupta a custos mais baixos do que os combustíveis fósseis — e o Brasil é uma delas.  
 
Segundo o documento (.pdf), globalmente, desde o estado da Bahia, no Brasil, e o Deserto de Thar, na Índia, até o sul de Queensland, na Austrália, e a Província Noroeste, na África do Sul, os custos nivelados de energia (LCOE) firmes variaram de cerca de US$ 65 a US$ 82/MWh em 2025.
 
Até 2030, projeta-se que os preços firmes caiam para entre US$ 44 e US$ 58/MWh na maioria desses locais, refletindo a contínua queda nos custos de instalação tanto de sistemas fotovoltaicos quanto de sistemas de armazenamento de energia em baterias (BESS).
 
“Desde 2010, os custos totais de instalação diminuíram 87% para a energia solar fotovoltaica e 55% para a energia eólica onshore. Os custos de armazenamento em baterias caíram ainda mais acentuadamente, 93%”, diz a agência. 
 
A análise observa ainda que os prazos de construção também estão diminuindo, com os projetos sendo normalmente construídos dentro de um a dois anos após a obtenção das licenças e conexão à rede, bem antes das novas alternativas a gás na maioria dos mercados.
 
A publicação do relatório internacional coincide com a discussão, no Brasil, do espaço reservado para os fósseis e as baterias na garantia de potência ao sistema elétrico, já que o país tem capacidade renovável de sobra, literalmente.
 
Também nesta quarta, o deputado Danilo Forte (PP/CE) apresentou à Comissão de Minas e Energia (CME) um relatório (.pdf) recomendando ao Tribunal de Contas da União (TCU) o cancelamento do leilão de capacidade de energia (LRCAP) deste ano. 
 
Além de protocolar um requerimento de urgência para votação do PDL 264/2026, de autoria da bancada do Novo, que suspende o LRCAP 2026. 
 
Na audiência, Forte questionou a escolha de fontes térmicas, especialmente a carvão, diante de alternativas mais rápidas e flexíveis, como baterias. 


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Sem espaço para baterias?

Justificado pelo governo brasileiro como necessário para garantir energia firme, o LRCAP de 2026 contratou 18,977 GW de potência, sendo 80% de usinas a gás natural (15,2 GW), além de 1,26 GW de térmicas a carvão. 
 
O restante será garantido pela ampliação de hidrelétricas (2,5 GW) e duas térmicas a biometano (9,2 MW).
 
O leilão é alvo de judicialização e a ofensiva por seu cancelamento chegou ao Congresso Nacional. Para aprofundar: O mês decisivo para o LRCAP e o balanço pós-leilão sobre o mercado de gás natural
 
E no meio dessa confusão, há também a crítica de organizações ambientais e da indústria renovável, para quem a contratação significa um golpe em uma outra solução que dá os primeiros passos no Brasil.
 
Prometido pelo Ministério de Minas e Energia para 2026, o primeiro leilão de baterias segue indefinido e o mercado está ansioso pelas regras para participar da concorrência.
 
Ao mesmo tempo, há quem enxergue que não há mais espaço para realização do certame em 2026, tendo em vista a contratação de quase 19 GW em térmicas e hidrelétricas no LRCAP do começo do ano.
 
“Eu gostaria muito que houvesse, mas acho que não tem mais espaço para fazer”, disse à eixos durante um evento em Brasília, na semana passada, o presidente da Frente dos Consumidores de Energia, Luiz Eduardo Barata.
 
Ex-diretor geral do Operador Nacional do Sistema, Barata avalia que o volume contratado no último leilão de potência é mais do que suficiente para suprir a demanda nacional e critica a contratação de térmicas até 2030.
 
“Tem que contratar para 2026 e 2027. Porque se eu posso contratar baterias, elas entram rápido [no sistema]. E daqui a pouco a bateria vai estar mais barata do que grande parte dessas coisas que a gente está contratando. Então, imagina, eu tomo uma decisão em uma direção, e acho que o resultado vem na outra”, pontua.
 
Já na audiência da CME desta quarta, o diretor do Instituto Internacional Arayara, Juliano Bueno, afirmou que o Brasil vive um cenário de “sobreoferta estrutural de energia” e que a contratação adicional prevista no leilão tende a elevar custos e emissões.
 
Segundo Bueno, estudos apresentados pela Arayara e incorporados no relatório do deputado Danilo Forte indicam que o leilão pode gerar aumento entre 10% e 15% na conta de luz.

Cobrimos por aqui


Curtas

Meta de 0,5%. O governo federal publicou, nesta quarta (6/5), a resolução 4/2026 do CNPE que fixa a meta anual de 0,5% nas emissões de gases de efeito estufa do mercado de gás natural. Aprovada em 1º de abril, a resolução foi publicada no Diário Oficial da União de hoje.
 
Impactos da guerra. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse, nesta quarta-feira (6/5), que, à medida que a guerra no Oriente Médio avance, o governo pode adotar novas medidas de combustíveis. No programa Bom dia, ministro, da EBC, ele disse que o Brasil é um dos países menos afetados pela alta do petróleo.
 
Etanol no drink. A ANP terá 120 dias para apresentar um estudo para coibir o uso de etanol hidratado combustível na produção clandestina de bebidas alcoólicas. O documento deverá propor aprimoramentos regulatórios relacionados à qualidade e rastreabilidade do biocombustível.
 
10 anos de Belo Monte. Para marcar os dez anos desde a inauguração oficial da Usina Hidrelétrica de Belo Monte Belo Monte, organizações ambientais e indígenas divulgaram uma carta aberta em defesa das comunidades de todo o médio curso do Rio Xingu. O documento destaca o agravamento das violações contra esses povos, ao longo dos anos, por causa das mudanças climáticas. (Agência Brasil)
 
Fome de energia. Os data centers devem responder por 8,5% da demanda de energia dos Estados Unidos em 2027, projeta o Goldman Sachs. A expectativa, segundo o banco, é que a demanda de energia por data centers nos EUA suba de 31 gigawatts (GW) em 2025 para 66 GW em 2027.
 
Substituindo diesel. LOTS Group e Cocal vão abastecer 44 caminhões com biometano para fazer a logística da vinhaça nas sedes de Paraguaçu Paulista e Narandiba, no oeste de São Paulo. A operação será feita integralmente com o combustível renovável já na safra atual (26/27) da Cocal.
 
Estágio na Suzano. A produtora de celulose está com as inscrições abertas para o seu programa de Estágio Superior. A companhia oferece mais de 100 vagas em diversos estados do País: São Paulo, Mato Grosso do Sul, Maranhão, Pará, Bahia, Ceará e Espírito Santo.

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